Talvez não seja você nunca aí. E fica claro ao ler acerca do seu ser descrito aos poucos nesses diversos personagens sobre os quais escreve inopinadamente numa espécie de mosaico autobiográfico.
Pode ser que haja compreensão para todo intelecto humano, mas jamais para as sensações destituintes e construintes de uma alma.
Mas saiba: a intenção maior da realização que se faz aos poucos nessa descoberta do si – a escrita - é de uma aceitação daquilo que se sente de maneira confusa. Escrevendo se tira de dentro e organiza-se pouco a pouco as sensações. Por isso a corrida desenfreada por novas palavras, que nos traz uma ilusória capacidade de exprimir algo para sempre inextricável. (Faça um exercício. Em poucas palavras, cotidianas, mostrar a intensidade do que se sente ao ser.)
Mas tristeza maior é pensar que, ao descobrir-se não ser alguém “daqui”, descobre-se concomitantemente um ser que nunca sairá de dentro de ti. Um mistério obscuro e covarde. Que instiga, vomita partes de alma, mas nunca sairá por completo de dentro. Toma ações em nosso nome, por nós, perfeitos em corpo, em tese, em inteligência. Nos trai. Pois não se forma por completo em nosso humano. Aí está nossa mais humilde fraqueza. Nossa discordância. A incoerência de um menino normal e lindo como você que mergulha nas profundezas de um ser que te afoga. Afoga a todos nós. Ninguém se torna capaz de lê-lo. Ninguém é capacitado a ter uma compreensão isenta de julgamento. Então é preciso força. Mas parte de nossas almas é covardia. É uma luta contraposta. Que, espero eu, não acabe nunca.
Sorte. Amor.
Já dizia Nietzsche, "quem sabe sofre".
vendredi, juin 11, 2010
mercredi, juin 02, 2010
no avesso de mim
por mais marginal seja alguém capaz ser
ninguém escapa do peso das imposições do alheio.
sempre montei-me no alheio
no amor que doava a eles - a você - no cuidado, no pensamento
por isso então quanto mais afundava-me em minha descoberta, mais pecava pela falta de coerência ao olhar do outro.
a alma gritava de dentro da pele por espaço próprio em minhas ações.
que saíam sempre naquilo que chama-se de impulso vital.
aquilo que manteve-me viva nos últimos meses
chorando com os julgamentos e gozando do prazer que só pudera aquela liberdade proporcionar.
fazia confusão das mentes que acompanhavam aquelas manobras da sórdida realidade que houvera antes eu escolhido
era irracional. mas tão humano, intenso e relativo a relações...
agora o que mandaram-me fazer é ser individual.
cuidar do si, manifestar ideias liberais, sem que haja pré julgamentos ou conceitos quaisquer
viver deleitando prazeres próprios, mas com a responsabilidade do egoísta, que nunca é senão racional
está certo que isso todos deveriam fazer...
mas viver para mim nunca foi viver, a meu ver
meu espaço de alma sempre foi somente a escrita
o resto era tempo alheio.
agora devo preocupar-me então com meus estudos, com minha saúde, minha familia, meu corpo.
vou preenchendo então meu dia de primeira pessoa no singular que sufoca.
desmaio e peço ajuda.
me fale seus problemas, quero ouvir.
não vou ajudar-te, posso até decepcionar. mas me deixa tocar.
preciso encostar no outro. e não sei se fujo assim do mim.
sei apenas que presente, as duras asas da borboleta vão fracas e egoístas
buscam campos, companhias, para assim completarem-se aos poucos, numa ilusão bonita.
- se bem que nisso quase já perdi-me.
as relações já começam pelas metades, assim sendo vê-se pouca entrega.
eu, por exemplo, quase já não me decepciono - as poucas pessoas encarregadas desse papel já o cumpriram muito bem.
quando deparei-me então com dessemelhante realidade aos poucos construída, encontrei comigo somente o si.
e agora é viver de mentira. de individual. de si.
de metades.
sem amanhã. isenta de perspectivas. sonhos. amores ou decepções.
ninguém escapa do peso das imposições do alheio.
sempre montei-me no alheio
no amor que doava a eles - a você - no cuidado, no pensamento
por isso então quanto mais afundava-me em minha descoberta, mais pecava pela falta de coerência ao olhar do outro.
a alma gritava de dentro da pele por espaço próprio em minhas ações.
que saíam sempre naquilo que chama-se de impulso vital.
aquilo que manteve-me viva nos últimos meses
chorando com os julgamentos e gozando do prazer que só pudera aquela liberdade proporcionar.
fazia confusão das mentes que acompanhavam aquelas manobras da sórdida realidade que houvera antes eu escolhido
era irracional. mas tão humano, intenso e relativo a relações...
agora o que mandaram-me fazer é ser individual.
cuidar do si, manifestar ideias liberais, sem que haja pré julgamentos ou conceitos quaisquer
viver deleitando prazeres próprios, mas com a responsabilidade do egoísta, que nunca é senão racional
está certo que isso todos deveriam fazer...
mas viver para mim nunca foi viver, a meu ver
meu espaço de alma sempre foi somente a escrita
o resto era tempo alheio.
agora devo preocupar-me então com meus estudos, com minha saúde, minha familia, meu corpo.
vou preenchendo então meu dia de primeira pessoa no singular que sufoca.
desmaio e peço ajuda.
me fale seus problemas, quero ouvir.
não vou ajudar-te, posso até decepcionar. mas me deixa tocar.
preciso encostar no outro. e não sei se fujo assim do mim.
sei apenas que presente, as duras asas da borboleta vão fracas e egoístas
buscam campos, companhias, para assim completarem-se aos poucos, numa ilusão bonita.
- se bem que nisso quase já perdi-me.
as relações já começam pelas metades, assim sendo vê-se pouca entrega.
eu, por exemplo, quase já não me decepciono - as poucas pessoas encarregadas desse papel já o cumpriram muito bem.
quando deparei-me então com dessemelhante realidade aos poucos construída, encontrei comigo somente o si.
e agora é viver de mentira. de individual. de si.
de metades.
sem amanhã. isenta de perspectivas. sonhos. amores ou decepções.
lundi, mai 31, 2010
me ajuda.
o que houve dessa vez menina?? tenho muito a fazer aqui dentro.
na verdade não sei, não sei...
então não me faças perder tempo nesse diálogo despropositado, que meu serviço chama a todo momento.
mas isso tem que passar.
tomou seu remédio?
tomei.
aconteceu alguma coisa hoje pra assim estar?
não. não aconteceu nada.
é aquela angústia, falta de sono, pensamentos ruins?
não.
como quer ajuda se nem tu sabes o que quer que seja? com sua licença, moça.
não... por favor, volte. sei que não posso continuar caminhando. minhas pernas pedem apoio.
mas isso dai nao é função minha não, querida.
eu sei doutor... mas é que...
sem mais. você assim está por invenção que não vem de mim. sempre foi assim.
como pode, com tamanha sapiência que possui, duvidar de tal maneira do que sinto eu?
ah, mocinha. tu és muito complicada.
não. não sou. o que sinto é que é.
então é você, vice.
mas é claro que não! não fui eu. tentava descomplicar tudo ai dentro quando ainda mais me perdi.
hum.. começou.
me ajuda. não sei o que sinto. você está ai dentro. é mais fácil, vai.
sou coração, não sou cérebro não, meu bem. não sei o que se passa com os outros. se estivesse doendo por aqui eu falava. mas ainda não apertou nada.
tem certeza?
absoluta.
ai meu deus... preciso de ajuda.
vai dormir. quem sabe assim os que tão com defeito por aqui se ajustam e acordam melhor amanhã?
é, pode ser... mas não sei se vou conseguir.
fecha os olhos, que já já o cérebro desiste, moça. e eu continuo aqui, nesse trabalho escravo. ai!
desculpa, desculpa.. prometo não incomodar mais. mas só procura saber quem tá com problema?
é você, querida, mas isso é óbvio.
não, não é! aqui fora tá tudo bem.. não é nada comigo. promete tentar descobrir?
prometo. mas já sabe que não há muito o que fazer então. isso deve ser coisa daquela tal alma.
o que houve dessa vez menina?? tenho muito a fazer aqui dentro.
na verdade não sei, não sei...
então não me faças perder tempo nesse diálogo despropositado, que meu serviço chama a todo momento.
mas isso tem que passar.
tomou seu remédio?
tomei.
aconteceu alguma coisa hoje pra assim estar?
não. não aconteceu nada.
é aquela angústia, falta de sono, pensamentos ruins?
não.
como quer ajuda se nem tu sabes o que quer que seja? com sua licença, moça.
não... por favor, volte. sei que não posso continuar caminhando. minhas pernas pedem apoio.
mas isso dai nao é função minha não, querida.
eu sei doutor... mas é que...
sem mais. você assim está por invenção que não vem de mim. sempre foi assim.
como pode, com tamanha sapiência que possui, duvidar de tal maneira do que sinto eu?
ah, mocinha. tu és muito complicada.
não. não sou. o que sinto é que é.
então é você, vice.
mas é claro que não! não fui eu. tentava descomplicar tudo ai dentro quando ainda mais me perdi.
hum.. começou.
me ajuda. não sei o que sinto. você está ai dentro. é mais fácil, vai.
sou coração, não sou cérebro não, meu bem. não sei o que se passa com os outros. se estivesse doendo por aqui eu falava. mas ainda não apertou nada.
tem certeza?
absoluta.
ai meu deus... preciso de ajuda.
vai dormir. quem sabe assim os que tão com defeito por aqui se ajustam e acordam melhor amanhã?
é, pode ser... mas não sei se vou conseguir.
fecha os olhos, que já já o cérebro desiste, moça. e eu continuo aqui, nesse trabalho escravo. ai!
desculpa, desculpa.. prometo não incomodar mais. mas só procura saber quem tá com problema?
é você, querida, mas isso é óbvio.
não, não é! aqui fora tá tudo bem.. não é nada comigo. promete tentar descobrir?
prometo. mas já sabe que não há muito o que fazer então. isso deve ser coisa daquela tal alma.
vendredi, mai 28, 2010
guincho para hipérbatos
Eu teria. Teria reconhecido amor, dançado, feito poesia do pretérito imperfeito.
Feito do amor sincero, da poesia carnal - teria misturado nossa construção
embolado corpos, no silêncio do odor de nossas almas
pregado de você em mim e me reconstituído aos poucos.
Minha vontade nunca foi comportada
nunca hesitei com você, não houve pudor
desejo escancarado.
eu teria feito de amor.
o que faltara pra que o verbo saísse das mãos, moldando um passado?
não sei mais o que movimenta os trilhos
o que transfigura e configura a nova diferença.
que me faz por hora preferir assistir imóvel o movimento,
a corrida dos lobos por um eufemismo chamado objetivo.
meu lado é outro, me locomovo, movo.
pra onde foi a força da atipicidade nessa típica cidade?
teria dançado se força houvesse eu para hipérbatos.
não nos faça desistir.
traga-me um guincho.
Feito do amor sincero, da poesia carnal - teria misturado nossa construção
embolado corpos, no silêncio do odor de nossas almas
pregado de você em mim e me reconstituído aos poucos.
Minha vontade nunca foi comportada
nunca hesitei com você, não houve pudor
desejo escancarado.
eu teria feito de amor.
o que faltara pra que o verbo saísse das mãos, moldando um passado?
não sei mais o que movimenta os trilhos
o que transfigura e configura a nova diferença.
que me faz por hora preferir assistir imóvel o movimento,
a corrida dos lobos por um eufemismo chamado objetivo.
meu lado é outro, me locomovo, movo.
pra onde foi a força da atipicidade nessa típica cidade?
teria dançado se força houvesse eu para hipérbatos.
não nos faça desistir.
traga-me um guincho.
mardi, mai 25, 2010
não me peça parar de sonhar
Foi bom e ruim. Aquela aproximação fere mas é viciante.
- tire o cigarro do bolso e vá completando viver -
se tem assim descobertas fascinantes que nada mostram além de racionalidade humana.
mas sim. em detrimento da nossa poesia. abandonou-a.
- fechou os olhos. pisou naquele cigarro que queimava a ponta dos dedos, mal sabia manusear -
não despeço-me jamais dos órgaos restantes, não sobrevivo na ausência de mim.
mas meu silêncio respeita decisões solenes, que fazer senão consentir?
- pensou, não hei de sujar-me fumando apenas um cigarro -
dei pedaços falsos, menti, para que pudesse assim manter-me em pé..
será o acaso da nossa dor, a separação do nosso ser.
não era dúbio, não existia.
- enquanto dava uma tragada ruim na qual buscava salvação, vinha a memória do que não existia. repito, não existia -
ele não poupou, não há sobra.
- transcendendo todo aquele complexo pensamento, vagou pelas calçadas -
aperte e solte ratos dentro do corpo, façam seu trabalho,
tanto nome me falta.
- senta e pede uma dose; tira um terceiro cigarro do bolso para submergir naquela fumaça -
ilusório. não se sabe salvar nem o si.
Nem às metades. não podemos medir.
sabes parte própria? fizeram-na assim por motivos quais?
já não há mais ser.
Puro devaneio, nos labirintos.
sentimos o movimento interno, e a imagem nasce presa à pele.
e aí, vomita-se poesia, o espaço acaba, o corpo não permite.
- o garçom olha aquele ser debruçando-se abruptamente na mesa suja do bar, com um cigarro no canto da boca e escrevendo palavras efêmeras, amassava-as, jogava ao chão -
você também deseja, e essa luta é contraposta.
cilada adiada.
somos analogamente humanos, o sangue pulsa.
constrói perspectiva.
- pensar no que fazer naquele momento é inútil. diz para o garçom, só porque fui forte um dia guardei essa loucura comigo, ele ri -
sopro.
à parte as sensações físicas, buscam-se vestígios para unir.
já não se sabe por onde andamo-nos, desmontando.
não me peça parar de sonhar.
- tire o cigarro do bolso e vá completando viver -
se tem assim descobertas fascinantes que nada mostram além de racionalidade humana.
mas sim. em detrimento da nossa poesia. abandonou-a.
- fechou os olhos. pisou naquele cigarro que queimava a ponta dos dedos, mal sabia manusear -
não despeço-me jamais dos órgaos restantes, não sobrevivo na ausência de mim.
mas meu silêncio respeita decisões solenes, que fazer senão consentir?
- pensou, não hei de sujar-me fumando apenas um cigarro -
dei pedaços falsos, menti, para que pudesse assim manter-me em pé..
será o acaso da nossa dor, a separação do nosso ser.
não era dúbio, não existia.
- enquanto dava uma tragada ruim na qual buscava salvação, vinha a memória do que não existia. repito, não existia -
ele não poupou, não há sobra.
- transcendendo todo aquele complexo pensamento, vagou pelas calçadas -
aperte e solte ratos dentro do corpo, façam seu trabalho,
tanto nome me falta.
- senta e pede uma dose; tira um terceiro cigarro do bolso para submergir naquela fumaça -
ilusório. não se sabe salvar nem o si.
Nem às metades. não podemos medir.
sabes parte própria? fizeram-na assim por motivos quais?
já não há mais ser.
Puro devaneio, nos labirintos.
sentimos o movimento interno, e a imagem nasce presa à pele.
e aí, vomita-se poesia, o espaço acaba, o corpo não permite.
- o garçom olha aquele ser debruçando-se abruptamente na mesa suja do bar, com um cigarro no canto da boca e escrevendo palavras efêmeras, amassava-as, jogava ao chão -
você também deseja, e essa luta é contraposta.
cilada adiada.
somos analogamente humanos, o sangue pulsa.
constrói perspectiva.
- pensar no que fazer naquele momento é inútil. diz para o garçom, só porque fui forte um dia guardei essa loucura comigo, ele ri -
sopro.
à parte as sensações físicas, buscam-se vestígios para unir.
já não se sabe por onde andamo-nos, desmontando.
não me peça parar de sonhar.
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