mardi, mai 11, 2010

minha mala, eu e o desapego

"Eu penso que a gente só deve levar pela vida aquilo que de fato somos capazes de carregar.Eu gosto de levar gratidão, saudade, tesão, amor, uma dose de melancolia, sonhos possíveis para se acreditar e de repente, tentar realizar. O que me faz mal, tento tirar da minha bagagem, da minha mochila. Os relacionamentos que não deram certo, as pessoas que me fizeram sofrer, a cristaleira, o sofá, a indiferença, o descaso, o pó, a sujeira e outras coisas palpáveis, pessoas despresíveis...
Gosto de sentir o gosto das coisas, o lambuzar das mãos, o sabor do café.
Na minha babagem levo itens de uma mochila que pode ser facilmente esvaziada. Para mim, desapego não tem nada a ver com indiferença e sim com liberdade, menos a ver com descaso e mais a ver com respirar. Pra mim, desapego tem a ver com ser livre e mais a ver ainda com sentir com o coração inteiro, o nariz, os olhos, os dedos e as vértebras, igual eu sinto você dentro de mim..."

Bebel Mendonça.

Há tempos venho tentando me explicar sobre o meu desapego tão mal visto.
Sou liberta eterna e preciso sentir com todos os órgãos.
Completa.

lundi, avril 12, 2010

o que é certo e errado?
Rosa que por eles vivia num limiar arriscado
subjugando-se protegida por um elo forte consigo própria
não há nada que faça deter-se no racional da coisa
a moral era tão irracional que a mente aberta sempre vencia nos argumentos
já que fez, o jeito é fazer.
ela estava enfim transformando-se no que era
e o que seria aquilo tão imperfeitamente frágil?
era o sentir humano, o ser que fere e confusamente é também ferido
ela nem quer pedir perdão, age com honestidade sem a vergonha que a paralisava
encarar-se foi um passo
potencializar-se outro será.

jeudi, février 18, 2010

Depois de um filme desses... Nada que possa ser colocado em palavras desce. Você entenderia enxergando minha expressão, meu mais ínfimo olhar atordoado. Quem se transforma após assistir um filme, dançar com aquele instrumental enquanto trafega pela cidade, pelos jardins mais belos; quem por eternos segundos não consegue chorar com a tragédia, ou continuar a viver o cotidiano, há de entender.

É momento que não existe, mas que permite existir. Não é pensar, nem sei se sentir. É desordenar, e desligar. Aquilo atordoa, confunde, consome. Quer beijar com a solidão. E falar no vácuo. E a impossibilidade do paradoxo exibe permissivamente a realidade não vivida, levada. Pois se pensamento houver, acompanha também a angústia. E não. É isenção. De tudo.

Poderia transcrever todas aquelas frases. Tão pouco factíveis. Soltas, fragmentadas, ligadas. Mas não. Cada molécula de ar do espaço não preenchido fazia parte do belo da mensagem final. Não seria justo. Aquele francês que deixava de ser dito pra ser expresso por olhar. Água salgada de lágrima. E morte. Morte emocional.

Volto. Ainda atordoada. Isenta de pensamentos, mas não de sensações. Transformo-me em uma mistura de sensações. Coração acelera. Queria tanto só parar de sentir. Alcançar frigidez, sensatez. Ou não ser mais atormentada pelo meu ser. Mas a pior prisão é o si, não Juliette?

Filme: "Há tanto tempo que te amo"

mercredi, janvier 20, 2010

traiçoeira e vulgar, sem dono e sem lar... é aquela

É engraçado como a arma mais poderosa do ser humano, que faz com que pensemos ser quase impossível relacionamento afetivo e criação de vínculo racional com a isenção desta, pode ser também, num paradoxo elementar, uma fraqueza de nossa raça. Logo eu, tão apaixonada, rendida completamente às palavras, rendo-me também a dizer que o poder desses símbolos, pode trabalhar inversamente, agir contra nós.
Um abraço, um beijo, carinho, toque... Um olhar, o corpo amolecendo, uma rendição. Isso comunica. Isso é amor. E muitas vezes limitamos momentos com uma fala equivocada, ou apenas de interpretação dúbia. Há quem diga que se fere mais com palavras. E sempre esperamos ligações, cartas apaixonadas: comunicação objetiva, queremos ouvir o que tantas vezes fica óbvio. É ela que nos trai ao chamar um homem quando estamos aos braços de outro. Nos confunde e nos faz falhar com nós mesmos, quando estudamos e não conseguimos mostrar o que sabemos, ou apenas quando não conseguimos expressar o sentimento.
O limiar cada vez mais abstrato entre o certo e errado tornou a palavra um objeto ainda mais poderoso. Você fala algo no qual talvez nem acredite e é superiorizado; você com palavras muda a vida de alguém, diminui, reprime; com ela também é reprimido por um erro pequeno, ou por falar sem pensar. A comunicação racionalizou o homem, nos fez pensar mais e levou embora o primitivismo. Mas não solucionou problemas de comunicação. Parece irracional, mas sim: a comunicação não solucionou todos os problemas humanos de comunicação. Porque ser sincero é bom e ruim. Falar o que pensa é bom e ruim. Ser comunicativo é bom e ruim.
Há quem diga também que as tais palavras são mais inteligentes. Que o humano de Humanas é mais inteligente, pois estuda a relação, estuda o social. Por isso acredito que ferimos mesmo mais com a palavra: pela inteligência dela. Já vi vários homens por aí que já se atracaram por um dia e hoje são amigos. Nunca vi alguém que já se ofendeu, magoou o outro com palavras e não tenha deixado vestígios. Saber matemática não é bom e ruim, é só bom. Você sabe, é inteligente e pronto. Qual a desvantagem de ser bom em matemática¿ Em biologia¿ Mas com a palavra até a inteligência é pouco substancial. Você pode ser traído por ela. Você pode se tornar triste, ou enfraquecer. Além do mais, na questão fatídica, você pode ser um gênio da área de humanas, e não saber se comunicar, não saber escrever bem, e, portanto, não ser visto no meio como inteligente. Ao tempo em que pode nem saber geografia e conceitos importantes, e persuadir muitos com a palavra. Essa que move, desmove. Manda e desmanda. E, principalmente, une e desune.
Sendo assim, a palavra, mais do que boa ou ruim, é traiçoeira. Talvez seja esse o motivo de desequilíbrio nas pessoas intensamente ligadas a ela. O não saber lidar com algo tão poderoso, que define tanto. Um poder que é entregue todos os dias de nossas vidas em nossas mãos. Ficamos perplexos, desnudos; ficamos paralisados diante do efeito borboleta de uma palavra. Que pode ter mil significados, influenciar em mil coisas. Pode dizer demais. Mais do que deveria. Que pode magoar, que pode embargar de felicidade. Essa é a tal palavra, aquela que pode tudo.

mercredi, janvier 13, 2010

qual e a cor da sua namorada?

A menina roxa, que agora estava num período roxo-azulado que não era bonito, mas encantava por ser pouco desvendavel, incitava novos pensamentos, já não conseguia mais adormecer com satisfação. Havia sempre aquele sentimento rodeando. Um sentimento de não aquisição do que realmente deveria ser alcançado. Mas não há o que se possa fazer em mais uma madrugada bípede. De dois membros anteriores opostos, que divergiam entre si, um brigando por momentos, sensações, enquanto o outro raciocinava e sofria de morbidez não humana. Era mais uma daquelas madrugadas que poderiam simplesmente sumir do mapa. Serviam apenas de atormento sobrenatural. Rosa foi percebendo que estava quase retomando a sua cor negra. Chega. Ela não queria.
Começa a passear por sua playlist. Aquelas musicas eram dela mesmo. Mas pra que? Ela estava coberta pelo maior sentimento de deslocamento que já havia passado. Pesava manobras para fugir do altruísmo exagerado mais uma vez. Mas era quase fatídico. Alias, completamente. Outro aspecto interessante era que, apesar de personagem inegavelmente dissemelhante, a menina se conturbava tão facilmente com as opiniões ignorantes dos usuais. E parava e refletia, remoendo-se. Eram julgamentos baseados em preceitos tão antigos, tão inaceitáveis. Era tanta hipocrisia. Mas era involuntária que Rosa enchia seu peito de duvidas e angustias. Não era justo. Mas era o preço a se pagar por sua percepção inigualável e seu belo perene.
Ela se incomodava com diversos outros pontos. A jovem havia arranjado um namorado, um namoradinho bom. Ele se tornara um desafio intrigante, possivelmente promissor. Ao estar lilás, amava firme, era quase dependente. Agora, escura, caminhava com dificuldade. Será que haveria ele de entender? Ela estava abstendo-se de pensar. Lia algo e não interpretava, buscava escrever de maneiras diferentes, mas parecia tudo tão igual. Tão nu, sem talento. Rosa pensava em suas amigas. Pensava no quanto não se sentia bem ultimamente com elas. Não era culpa dela. Não era. Ela tinha certeza que o mundo estava o contrario e ninguém havia notado. Ela ia começar outro dia da mesma maneira. Ia dormir, ter pesadelos, acordar, ir ao medico, ver o namorado, ócio, ócio, ócio, mente fraca e continuação vital. (?)