Depois de um filme desses... Nada que possa ser colocado em palavras desce. Você entenderia enxergando minha expressão, meu mais ínfimo olhar atordoado. Quem se transforma após assistir um filme, dançar com aquele instrumental enquanto trafega pela cidade, pelos jardins mais belos; quem por eternos segundos não consegue chorar com a tragédia, ou continuar a viver o cotidiano, há de entender.
É momento que não existe, mas que permite existir. Não é pensar, nem sei se sentir. É desordenar, e desligar. Aquilo atordoa, confunde, consome. Quer beijar com a solidão. E falar no vácuo. E a impossibilidade do paradoxo exibe permissivamente a realidade não vivida, levada. Pois se pensamento houver, acompanha também a angústia. E não. É isenção. De tudo.
Poderia transcrever todas aquelas frases. Tão pouco factíveis. Soltas, fragmentadas, ligadas. Mas não. Cada molécula de ar do espaço não preenchido fazia parte do belo da mensagem final. Não seria justo. Aquele francês que deixava de ser dito pra ser expresso por olhar. Água salgada de lágrima. E morte. Morte emocional.
Volto. Ainda atordoada. Isenta de pensamentos, mas não de sensações. Transformo-me em uma mistura de sensações. Coração acelera. Queria tanto só parar de sentir. Alcançar frigidez, sensatez. Ou não ser mais atormentada pelo meu ser. Mas a pior prisão é o si, não Juliette?
Filme: "Há tanto tempo que te amo"
mercredi, janvier 20, 2010
traiçoeira e vulgar, sem dono e sem lar... é aquela
É engraçado como a arma mais poderosa do ser humano, que faz com que pensemos ser quase impossível relacionamento afetivo e criação de vínculo racional com a isenção desta, pode ser também, num paradoxo elementar, uma fraqueza de nossa raça. Logo eu, tão apaixonada, rendida completamente às palavras, rendo-me também a dizer que o poder desses símbolos, pode trabalhar inversamente, agir contra nós.
Um abraço, um beijo, carinho, toque... Um olhar, o corpo amolecendo, uma rendição. Isso comunica. Isso é amor. E muitas vezes limitamos momentos com uma fala equivocada, ou apenas de interpretação dúbia. Há quem diga que se fere mais com palavras. E sempre esperamos ligações, cartas apaixonadas: comunicação objetiva, queremos ouvir o que tantas vezes fica óbvio. É ela que nos trai ao chamar um homem quando estamos aos braços de outro. Nos confunde e nos faz falhar com nós mesmos, quando estudamos e não conseguimos mostrar o que sabemos, ou apenas quando não conseguimos expressar o sentimento.
O limiar cada vez mais abstrato entre o certo e errado tornou a palavra um objeto ainda mais poderoso. Você fala algo no qual talvez nem acredite e é superiorizado; você com palavras muda a vida de alguém, diminui, reprime; com ela também é reprimido por um erro pequeno, ou por falar sem pensar. A comunicação racionalizou o homem, nos fez pensar mais e levou embora o primitivismo. Mas não solucionou problemas de comunicação. Parece irracional, mas sim: a comunicação não solucionou todos os problemas humanos de comunicação. Porque ser sincero é bom e ruim. Falar o que pensa é bom e ruim. Ser comunicativo é bom e ruim.
Há quem diga também que as tais palavras são mais inteligentes. Que o humano de Humanas é mais inteligente, pois estuda a relação, estuda o social. Por isso acredito que ferimos mesmo mais com a palavra: pela inteligência dela. Já vi vários homens por aí que já se atracaram por um dia e hoje são amigos. Nunca vi alguém que já se ofendeu, magoou o outro com palavras e não tenha deixado vestígios. Saber matemática não é bom e ruim, é só bom. Você sabe, é inteligente e pronto. Qual a desvantagem de ser bom em matemática¿ Em biologia¿ Mas com a palavra até a inteligência é pouco substancial. Você pode ser traído por ela. Você pode se tornar triste, ou enfraquecer. Além do mais, na questão fatídica, você pode ser um gênio da área de humanas, e não saber se comunicar, não saber escrever bem, e, portanto, não ser visto no meio como inteligente. Ao tempo em que pode nem saber geografia e conceitos importantes, e persuadir muitos com a palavra. Essa que move, desmove. Manda e desmanda. E, principalmente, une e desune.
Sendo assim, a palavra, mais do que boa ou ruim, é traiçoeira. Talvez seja esse o motivo de desequilíbrio nas pessoas intensamente ligadas a ela. O não saber lidar com algo tão poderoso, que define tanto. Um poder que é entregue todos os dias de nossas vidas em nossas mãos. Ficamos perplexos, desnudos; ficamos paralisados diante do efeito borboleta de uma palavra. Que pode ter mil significados, influenciar em mil coisas. Pode dizer demais. Mais do que deveria. Que pode magoar, que pode embargar de felicidade. Essa é a tal palavra, aquela que pode tudo.
Um abraço, um beijo, carinho, toque... Um olhar, o corpo amolecendo, uma rendição. Isso comunica. Isso é amor. E muitas vezes limitamos momentos com uma fala equivocada, ou apenas de interpretação dúbia. Há quem diga que se fere mais com palavras. E sempre esperamos ligações, cartas apaixonadas: comunicação objetiva, queremos ouvir o que tantas vezes fica óbvio. É ela que nos trai ao chamar um homem quando estamos aos braços de outro. Nos confunde e nos faz falhar com nós mesmos, quando estudamos e não conseguimos mostrar o que sabemos, ou apenas quando não conseguimos expressar o sentimento.
O limiar cada vez mais abstrato entre o certo e errado tornou a palavra um objeto ainda mais poderoso. Você fala algo no qual talvez nem acredite e é superiorizado; você com palavras muda a vida de alguém, diminui, reprime; com ela também é reprimido por um erro pequeno, ou por falar sem pensar. A comunicação racionalizou o homem, nos fez pensar mais e levou embora o primitivismo. Mas não solucionou problemas de comunicação. Parece irracional, mas sim: a comunicação não solucionou todos os problemas humanos de comunicação. Porque ser sincero é bom e ruim. Falar o que pensa é bom e ruim. Ser comunicativo é bom e ruim.
Há quem diga também que as tais palavras são mais inteligentes. Que o humano de Humanas é mais inteligente, pois estuda a relação, estuda o social. Por isso acredito que ferimos mesmo mais com a palavra: pela inteligência dela. Já vi vários homens por aí que já se atracaram por um dia e hoje são amigos. Nunca vi alguém que já se ofendeu, magoou o outro com palavras e não tenha deixado vestígios. Saber matemática não é bom e ruim, é só bom. Você sabe, é inteligente e pronto. Qual a desvantagem de ser bom em matemática¿ Em biologia¿ Mas com a palavra até a inteligência é pouco substancial. Você pode ser traído por ela. Você pode se tornar triste, ou enfraquecer. Além do mais, na questão fatídica, você pode ser um gênio da área de humanas, e não saber se comunicar, não saber escrever bem, e, portanto, não ser visto no meio como inteligente. Ao tempo em que pode nem saber geografia e conceitos importantes, e persuadir muitos com a palavra. Essa que move, desmove. Manda e desmanda. E, principalmente, une e desune.
Sendo assim, a palavra, mais do que boa ou ruim, é traiçoeira. Talvez seja esse o motivo de desequilíbrio nas pessoas intensamente ligadas a ela. O não saber lidar com algo tão poderoso, que define tanto. Um poder que é entregue todos os dias de nossas vidas em nossas mãos. Ficamos perplexos, desnudos; ficamos paralisados diante do efeito borboleta de uma palavra. Que pode ter mil significados, influenciar em mil coisas. Pode dizer demais. Mais do que deveria. Que pode magoar, que pode embargar de felicidade. Essa é a tal palavra, aquela que pode tudo.
mercredi, janvier 13, 2010
qual e a cor da sua namorada?
A menina roxa, que agora estava num período roxo-azulado que não era bonito, mas encantava por ser pouco desvendavel, incitava novos pensamentos, já não conseguia mais adormecer com satisfação. Havia sempre aquele sentimento rodeando. Um sentimento de não aquisição do que realmente deveria ser alcançado. Mas não há o que se possa fazer em mais uma madrugada bípede. De dois membros anteriores opostos, que divergiam entre si, um brigando por momentos, sensações, enquanto o outro raciocinava e sofria de morbidez não humana. Era mais uma daquelas madrugadas que poderiam simplesmente sumir do mapa. Serviam apenas de atormento sobrenatural. Rosa foi percebendo que estava quase retomando a sua cor negra. Chega. Ela não queria.
Começa a passear por sua playlist. Aquelas musicas eram dela mesmo. Mas pra que? Ela estava coberta pelo maior sentimento de deslocamento que já havia passado. Pesava manobras para fugir do altruísmo exagerado mais uma vez. Mas era quase fatídico. Alias, completamente. Outro aspecto interessante era que, apesar de personagem inegavelmente dissemelhante, a menina se conturbava tão facilmente com as opiniões ignorantes dos usuais. E parava e refletia, remoendo-se. Eram julgamentos baseados em preceitos tão antigos, tão inaceitáveis. Era tanta hipocrisia. Mas era involuntária que Rosa enchia seu peito de duvidas e angustias. Não era justo. Mas era o preço a se pagar por sua percepção inigualável e seu belo perene.
Ela se incomodava com diversos outros pontos. A jovem havia arranjado um namorado, um namoradinho bom. Ele se tornara um desafio intrigante, possivelmente promissor. Ao estar lilás, amava firme, era quase dependente. Agora, escura, caminhava com dificuldade. Será que haveria ele de entender? Ela estava abstendo-se de pensar. Lia algo e não interpretava, buscava escrever de maneiras diferentes, mas parecia tudo tão igual. Tão nu, sem talento. Rosa pensava em suas amigas. Pensava no quanto não se sentia bem ultimamente com elas. Não era culpa dela. Não era. Ela tinha certeza que o mundo estava o contrario e ninguém havia notado. Ela ia começar outro dia da mesma maneira. Ia dormir, ter pesadelos, acordar, ir ao medico, ver o namorado, ócio, ócio, ócio, mente fraca e continuação vital. (?)
Começa a passear por sua playlist. Aquelas musicas eram dela mesmo. Mas pra que? Ela estava coberta pelo maior sentimento de deslocamento que já havia passado. Pesava manobras para fugir do altruísmo exagerado mais uma vez. Mas era quase fatídico. Alias, completamente. Outro aspecto interessante era que, apesar de personagem inegavelmente dissemelhante, a menina se conturbava tão facilmente com as opiniões ignorantes dos usuais. E parava e refletia, remoendo-se. Eram julgamentos baseados em preceitos tão antigos, tão inaceitáveis. Era tanta hipocrisia. Mas era involuntária que Rosa enchia seu peito de duvidas e angustias. Não era justo. Mas era o preço a se pagar por sua percepção inigualável e seu belo perene.
Ela se incomodava com diversos outros pontos. A jovem havia arranjado um namorado, um namoradinho bom. Ele se tornara um desafio intrigante, possivelmente promissor. Ao estar lilás, amava firme, era quase dependente. Agora, escura, caminhava com dificuldade. Será que haveria ele de entender? Ela estava abstendo-se de pensar. Lia algo e não interpretava, buscava escrever de maneiras diferentes, mas parecia tudo tão igual. Tão nu, sem talento. Rosa pensava em suas amigas. Pensava no quanto não se sentia bem ultimamente com elas. Não era culpa dela. Não era. Ela tinha certeza que o mundo estava o contrario e ninguém havia notado. Ela ia começar outro dia da mesma maneira. Ia dormir, ter pesadelos, acordar, ir ao medico, ver o namorado, ócio, ócio, ócio, mente fraca e continuação vital. (?)
dimanche, décembre 27, 2009
é incoerente pois se começa tentando alcançar um ser - que não, não é perfeito, mas é pleno -, que tem como uma das principais características o "não ligar", observando ao redor para tentar ganhar a corrida apontando os defeitos do restante dos competidores. agimos de má fé tentando vencer; estamos tão despreparados.
ser de pequena estatura não ajuda num momento ínfimo no qual pensa-se em desaparecer para não ser aquilo que se é. há uma falta não momentânea, aquela eterna, de léxico d'alma. o ser que aceita pedaços de si some. sobra alguém que quer se esconder em outro. quer transformar-se em metade imperfeita temendo ferir o rosto com os raios da vida. viver como si dói, mas ter de voltar a ser como era ouvindo risadas de pouca esperança do pública que assiste crítico ao seu espetáculo, é ainda pior. acredite.
ser de pequena estatura não ajuda num momento ínfimo no qual pensa-se em desaparecer para não ser aquilo que se é. há uma falta não momentânea, aquela eterna, de léxico d'alma. o ser que aceita pedaços de si some. sobra alguém que quer se esconder em outro. quer transformar-se em metade imperfeita temendo ferir o rosto com os raios da vida. viver como si dói, mas ter de voltar a ser como era ouvindo risadas de pouca esperança do pública que assiste crítico ao seu espetáculo, é ainda pior. acredite.
samedi, décembre 12, 2009
Agora. Numa nova era.
Estou apaixonada pelo jovem doce dos meus sonhos. Isso não tinha acontecido. Foi um sonho longo. Ele me roubava da realidade nova, mas morna. Não era ele, nem era ele, nem ele; era novo. Fugia comigo. Me levava perto mas me transportava para longe.
Lá a minha passividade odiada combinava com o espírito elegante do sorriso calmo dele. Subiam arrepios de cima a baixo como uma mão leve passando por entre meus braços. Não havia a questão sexual. Era um amor muito puro, muito jovem, desejava, mas não mexia. Pra não incomodar. Ele só olhava.
Mas fui capaz de senti-lo todo em um segundo. Ele me amava e aquilo era tão bonito. Naquele segundo eu amei-o então. Era novo. Não era ele, nem era ele, nem ele; era novo. Eu não queria acordar. Não queria voltar pra realidade.
Acordei e então fui recompondo-me. Tentava. Eu li um bilhete de fracas palavras, porém sinceras, daquele que era um pedaço de mim. Tentei, comunicação, pensamentos... Tentei. Mas não dava porque não havia mais conexão naquele sentido. Era só carinho intenso. Eu ainda amava aquele dos meus sonhos.
E o meu¿ Racionalizei. Comuniquei. Não fluiu. Fracamente eu era dele. Francamente.
Estou apaixonada por um pensamento. Por uma invenção. Mas o que seria o amor senão uma invenção? Sou uma garota interrompida.
Carrego comigo desastres que ainda desconheço.
Estou apaixonada pelo jovem doce dos meus sonhos. Isso não tinha acontecido. Foi um sonho longo. Ele me roubava da realidade nova, mas morna. Não era ele, nem era ele, nem ele; era novo. Fugia comigo. Me levava perto mas me transportava para longe.
Lá a minha passividade odiada combinava com o espírito elegante do sorriso calmo dele. Subiam arrepios de cima a baixo como uma mão leve passando por entre meus braços. Não havia a questão sexual. Era um amor muito puro, muito jovem, desejava, mas não mexia. Pra não incomodar. Ele só olhava.
Mas fui capaz de senti-lo todo em um segundo. Ele me amava e aquilo era tão bonito. Naquele segundo eu amei-o então. Era novo. Não era ele, nem era ele, nem ele; era novo. Eu não queria acordar. Não queria voltar pra realidade.
Acordei e então fui recompondo-me. Tentava. Eu li um bilhete de fracas palavras, porém sinceras, daquele que era um pedaço de mim. Tentei, comunicação, pensamentos... Tentei. Mas não dava porque não havia mais conexão naquele sentido. Era só carinho intenso. Eu ainda amava aquele dos meus sonhos.
E o meu¿ Racionalizei. Comuniquei. Não fluiu. Fracamente eu era dele. Francamente.
Estou apaixonada por um pensamento. Por uma invenção. Mas o que seria o amor senão uma invenção? Sou uma garota interrompida.
Carrego comigo desastres que ainda desconheço.
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